terça-feira, 25 de agosto de 2015


A resistência

     Quando eu era criança ouvia as estórias que minha avó contava. “A Formiga e o Floco de Neve” era a minha preferida.  Lembro de pedir a ela para repetir inúmeras vezes aquela estória. Guardo ainda o ritmo e a melodia da pergunta. Perguntar era algo que eu sempre amei fazer. Aprender sempre foi um grande valor para mim.

     Hoje penso que ao ouvir a estória por várias vezes, provavelmente, eu resolvia  algum conflito interno. Eu me identificava com a formiga que lidava com o obstáculo e que fazia perguntas para vários elementos da natureza. A repetição das perguntas para os personagens estimulava a minha imaginação. Não sei porque gravei a pergunta que ela fazia de uma forma bem diferente. Em minha lembrança a pergunta da formiga era “Oh neve porque cobres os meus pézinhos?” Nao lembrava o que acontecia depois, e nem a solução encontrada.

   Lembrei desta estória em uma sessão de coaching. Ao final do encontro a coach mencionou sobre a minha resistência para finalizar as ações iniciadas. Eu me senti a própria formiga com um floco de neve no pé.

     A tarefa acordada para a próxima sessão foi realizar uma conversa com a “Resistência”, e em seguida escrever a reflexão surgida desta conversa. Então, aqui estou eu a conversar.

    Sobre a “Resistência” tenho a dizer que sempre diante dela, ajo de forma respeitosa. Até porque aprendi que a princípio não sabemos qual o seu papel na minha situação específica. Estamos ainda, numa fase de exploração. É preciso conhecer a causa que me conduz a resistir em empreender as ações  que importam para minha vida pessoal e profissional.

   Fico a imaginar sobre os aspectos envolvidos? Os ganhos? As perdas? E o que isto pode ter a ver com a minha identidade? O que pode ocorrer se esta resistência for “derretida”, assim como a neve?

    Quando resisto percebo uma pressão física na altura do plexo solar. Posso desta forma entrar em contato com este desconforto. Percebo uma barreira. A neve sobre os pés da formiga é a metáfora do obstáculo, da paralisia que se encontra com este sentimento de resistência.

   Preciso encarar os fatos. Tenho ações desenhadas, iniciadas e que não finalizei. Procrastinar é a palavra que vem a serviço da “Resistência”.   É exatamente isto que estou a fazer comigo. Este solilóquio trouxe a consciência de que finalizar é dar andamento a mobilidade necessária para avançar com meus objetivos. Ao realizá-los poderei ascender a outra dimensão de quem eu sou. Do meu vir a ser contínuo.

     Ao tempo em que escrevo sobre isto percebo que tenho a tentação em me distrair com outras coisas. E na verdade, é o que tenho feito com meus projetos. Sempre que estou com eles nas mãos, largo para me distrair com coisas que também são muito interessantes para mim. O problema é que perco o foco!

    Para esta conversa, no sentido de contextualizar e encontrar clareza sobre o mote da estória da formiga é fui pesquisar na internet. Encontrei versões diferentes. E o melhor de tudo foi reencontrar a criança em mim.

    Compreendi que a estória trata de uma formiga que esta com os pés presos pela neve. Vi que ela busca ajuda com os elementos da natureza, realizando perguntas para quem teria o poder de resolver. No final da narração encontra Deus que tudo pode a faz acordar para o fato de que a neve que estava sobre os seus pés ja tinha derretido.

    Importante ressaltar que o exercício ofereceu maior clareza sobre o meu processo. Tudo que posso dizer é sobre a gratidão para com a minha coach que durante a sessão me conduziu a uma outra dimensão de quem eu sou, por meio da conversa, da tarefa e da metáfora que me ajudou a caminhar. Posso afirmar que após a sessão pude colher frutos da minha ação.

Maria Eugenia de Athayde

Dedico este texto a coach Ana Vilanova.


2 comentários:

  1. Lindas reflexões, Eugênia!!!
    Honrar o que fez ou faz parte do nosso existir é condição que ancora e potencializa os processos de belas e profundas transformações.
    Acolher o que nos constitui enquanto seres humanos é o que nos possibilita aprender a cada momento, como eternos aprendizes.
    A resistência teve e tem um papel na sua vida, como tão sensivelmente você descreve em seu conto:
    “Fico a imaginar sobre os aspectos envolvidos? Os ganhos? As perdas? E o que isto pode ter a ver com a minha identidade? O que pode ocorrer se esta resistência for “derretida”, assim como a neve”?
    Com carinho,

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    1. A voce minha querida coach toda a minha gratidão. Estou a cuidar da minha neve. bjos

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