A
resistência
Quando
eu era criança ouvia as estórias que minha avó contava. “A Formiga e o Floco de
Neve” era a minha preferida. Lembro de
pedir a ela para repetir inúmeras vezes aquela estória. Guardo ainda o ritmo e
a melodia da pergunta. Perguntar era algo que eu sempre amei fazer. Aprender
sempre foi um grande valor para mim.
Hoje
penso que ao ouvir a estória por várias vezes, provavelmente, eu resolvia algum conflito interno. Eu me identificava com
a formiga que lidava com o obstáculo e que fazia perguntas para vários
elementos da natureza. A repetição das perguntas para os personagens estimulava
a minha imaginação. Não sei porque gravei a pergunta que ela fazia de uma forma
bem diferente. Em minha lembrança a pergunta da formiga era “Oh neve porque
cobres os meus pézinhos?” Nao lembrava o que acontecia depois, e nem a solução
encontrada.
Lembrei
desta estória em uma sessão de coaching. Ao final do encontro a coach mencionou
sobre a minha resistência para finalizar as ações iniciadas. Eu me senti a
própria formiga com um floco de neve no pé.
A
tarefa acordada para a próxima sessão foi realizar uma conversa com a
“Resistência”, e em seguida escrever a reflexão surgida desta conversa. Então,
aqui estou eu a conversar.
Sobre
a “Resistência” tenho a dizer que sempre diante dela, ajo de forma respeitosa.
Até porque aprendi que a princípio não sabemos qual o seu papel na minha
situação específica. Estamos ainda, numa fase de exploração. É preciso conhecer
a causa que me conduz a resistir em empreender as ações que importam para minha vida pessoal e
profissional.
Fico
a imaginar sobre os aspectos envolvidos? Os ganhos? As perdas? E o que isto
pode ter a ver com a minha identidade? O que pode ocorrer se esta resistência for “derretida”, assim como a neve?
Quando
resisto percebo uma pressão física na altura do plexo solar. Posso desta forma
entrar em contato com este desconforto. Percebo uma barreira. A neve sobre os pés da formiga é a metáfora do obstáculo, da paralisia que se encontra com este
sentimento de resistência.
Preciso
encarar os fatos. Tenho ações desenhadas, iniciadas e que não finalizei. Procrastinar
é a palavra que vem a serviço da “Resistência”.
É exatamente isto que estou a
fazer comigo. Este solilóquio trouxe a consciência de que finalizar é dar
andamento a mobilidade necessária para avançar com meus objetivos. Ao
realizá-los poderei ascender a outra dimensão de quem eu sou. Do meu vir a ser
contínuo.
Ao
tempo em que escrevo sobre isto percebo que tenho a tentação em me distrair com
outras coisas. E na verdade, é o que tenho feito com meus projetos. Sempre que
estou com eles nas mãos, largo para me distrair com coisas que também são muito
interessantes para mim. O problema é que perco o foco!
Para
esta conversa, no sentido de contextualizar e encontrar clareza sobre o mote da
estória da formiga é fui pesquisar na internet. Encontrei versões diferentes. E
o melhor de tudo foi reencontrar a criança em mim.
Compreendi
que a estória trata de uma formiga que esta com os pés presos pela neve. Vi que
ela busca ajuda com os elementos da natureza, realizando perguntas para quem
teria o poder de resolver. No final da narração encontra Deus que tudo pode a
faz acordar para o fato de que a neve que estava sobre os seus pés ja tinha
derretido.
Importante
ressaltar que o exercício ofereceu maior clareza sobre o meu processo. Tudo que
posso dizer é sobre a gratidão para com a minha coach que durante a sessão me
conduziu a uma outra dimensão de quem eu sou, por meio da conversa, da tarefa e
da metáfora que me ajudou a caminhar. Posso afirmar que após a sessão pude
colher frutos da minha ação.
Maria Eugenia de Athayde
Dedico este texto a coach Ana Vilanova.
Dedico este texto a coach Ana Vilanova.

Lindas reflexões, Eugênia!!!
ResponderExcluirHonrar o que fez ou faz parte do nosso existir é condição que ancora e potencializa os processos de belas e profundas transformações.
Acolher o que nos constitui enquanto seres humanos é o que nos possibilita aprender a cada momento, como eternos aprendizes.
A resistência teve e tem um papel na sua vida, como tão sensivelmente você descreve em seu conto:
“Fico a imaginar sobre os aspectos envolvidos? Os ganhos? As perdas? E o que isto pode ter a ver com a minha identidade? O que pode ocorrer se esta resistência for “derretida”, assim como a neve”?
Com carinho,
A voce minha querida coach toda a minha gratidão. Estou a cuidar da minha neve. bjos
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